terça-feira, 18 de agosto de 2009

Me consome

Hoje eu acordei com frio. Um frio diferente, que tomava meu peito. Um frio que deixava de lado todo o calor goianiense que já se formava às sete da manhã. Um frio que me congelou e que me fez enrolar e rolar na cama. Um frio que cobertor nenhum aquecia, que a falta congelava, que o silêncio consumia. Era como se tivesse em um filme antigo, uma paisagem preta e branca, uma monotonia sem fim. Ou talvez nem fosse isso... talvez, a palavra certa seria falta, seria saudade!



"A presença da ausência me consome". Penso, reflito, devaneio, me escondo nesse pensamento. São inícios de semanas penosas, complicadas e doídas. A falta de pele, de toque, de beijo de boa noite e de bom dia, de pés macios acariciando-se, de braço suado, de encaixe perfeito. A cama grande, o lençol amassado nos lugares errados, o travesseiro faltando, o cobertor de casal vazio. Dói não sentir o ar que sai da sua respiração, dói muito não sentir o seu cheiro bom ao acordar, o gosto de café quente na boca macia, o sorriso perfeito, o brilho único do olhar. É a força que falta para seguir meus dias.

Resumo tudo em espera, em força e em projeções. Reúno forças no futuro próximo, na chegada no meio da semana, no final do dia, no coração acelerado, nas mensagens recebidas. Sonho com um futuro certo, com idas e vindas compartilhadas, com complementações. Tenho no coração, hoje - e para sempre, o amor que só sentimos uma vez na vida. O amor com o qual sonhamos, criamos nossos contos de fada. "Carrego o seu coração comigo. Carrego-o no meu coração". Se for preciso, sempre esperarei você chegar, porque só com você me sinto completo, definitivamente.

Não consigo e não quero mais imaginar a minha vida sem você! A saudade, quando você não está, é mais significativa, é mais entendida. Dói, aperta, esfola, consome...

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Sobre sentimentos, casos e acasos

Gosto do sorriso natural ao ganhar uma flor quase murcha, só por sentir o significado da verdadeira intenção de dá-la. Gosto de beijo surpresa, ou roubado, só por fazer meu coração estalar e se anestesiar segundos seguintes. Gosto da mensagem de madrugada por ser a hora que menos espero recebê-la. Gosto do carinho redigido no guardanapo à mesa do bar. Gosto do pulo na piscina, acompanhado do abraço quente que me protege da água fria. Gosto de levantar da cama para apagar a luz e deixar meu amor deitado, confortavelmente tranquilo. Gosto da companhia nos momentos chatos, por ser uma das provas do quanto sou importante. Gosto da mesa detalhadamente posta para mim, do lençol esticado, do travesseiro fofo, do perfume cítrico. Gosto da frase dita, das verdades que saem do coração.

Sentimentos. Se procurarmos em dicionário o verdadeiro significado dessa palavra, denotaremos que sentimentos são, de forma genérica, informações que seres biológicos são capazes de sentir nas situações que vivenciam, no dia a dia, a cada segundo que passa. Felicidade, amor, carinho, afeto, medo, empatia, antipatia, ódio, alegria, tristeza. São tantos, que ninguém conseguiria descrevê-los, de fato, detalhadamente. Às vezes [quase sempre], paro e fico pensando o que isso tudo significa para mim. O quanto o amor move a minha vida; o quanto meu coração enche de tristeza nas despedidas; o quanto fico de mau humor quando tenho que acordar mais cedo; o quanto fico indignado com a inveja, com a indiferença e com o descaso; o quanto fico radiante com a companhia de alguém especial.

Escrevo sobre o amor, sobre as alegrias da vida, dos passeios no parque, da tarde quente e aconchegante, do azul bonito do céu, do sorriso na rua, dos abraços, da companhia insubstituível, do sol quente, do verde das plantas, do contraste das cores, da beleza da água quando estou verdadeiramente feliz. Escrevo da ausência, da saudade, do abandono, da frase não dita, da espera boba, dos porquês que incomodam quando estou triste, melancólico, melodramático. Escrevo do trânsito caótico, do abuso no trabalho, da falta de responsabilidade, do motoqueiro que quase bateu no meu carro, do não entendimento, das obrigações chatas quando estou com raiva, indignado, com ódio momentâneo.

O fato é: tudo que faço bem, ou que tento fazer bem, depende do meu estado emocional. Acredito que não tem como separar os sentimentos do 'físico'. Minha pele fica mais bonita, minhas rugas diminuem, meu intestino funciona melhor, minhas roupas me vestem melhor quando estou mais feliz. É notório. Então, como dizer que não são questões que se complementam? Ou melhor, o sentimento é uma questão que determina todas as outras. E a partir de então, começamos a perceber que os acasos, ou os casos e causos de nossas vidas foram e são determinados pelos nossos sentimentos. É simples! Posso estar transbordando de alegria, mas se acontece alguma coisa inesperada que me incomoda, que me deixa preocupado, a felicidade se transforma em uma expressão marcante, um determinante. Entendem?

Gosto muito do texto "Relacionamentos", do Arnaldo Jabor, que fala sobre sentimentos, experiências, considerações e visões sobre o quanto precisamos enxergar algumas verdades de outra forma. Mas discordo um pouco aqui: "... E não temos esta coisa completa. Às vezes ele é fiel, mas não é bom de cama. Às vezes ele é carinhoso, mas não é fiel. Às vezes ele é atencioso, mas não é trabalhador. Às vezes ela é malhada, mas não é sensível. Tudo nós não temos"! Como assim, tudo nós não temos? Concordo que, de fato, as coisas são assim. Mas falo que discordo porque acredito que isso também depende de nós. Meu amor é perfeito para mim, mesmo com seus defeitos. E o restante? Basta eu tentar mudar. Se eu não vou ser para o outro tudo aquilo que ele gostaria, porque ele tem que ser para mim tudo o que eu queria? Somos mutáveis, e até isso depende do quanto gostamos, queremos de verdade, acreditamos. Tudo depende de encaixe, de vontade, de empenho.

Para o dia ser belo, é preciso que eu acorde de bom humor, de sorriso de orelha a orelha, de pé direito, de calor, de aconchego. É simples, é coerente. Meus sentimentos fazem com que eu siga meus dias, mais ou menos empolgado, mais ou menos confiante, mais ou menos determinado. As surpresas boas, geralmente, vêm quando eu estou radiante, quando tudo está bem; as ruins insistem em fazer com que eu repita: "tudo pode piorar mesmo!" E assim seguimos nosso fluxo, sem, muitas vezes, perceber o quanto isso nos rege, o quanto queremos e esperamos por sentimentos bons...

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Mais que seu filho, eu sou seu fã!

“Naquela mesa ele sentava sempre, e me dizia sempre o que é viver melhor. Naquela mesa ele contava estórias e, hoje, na memória, eu guardo e sei de cor. Naquela mesa ele juntava gente e contava contente o que fez de manhã; e os seus olhos era tanto brilho, que eu, mais que seu filho, eu fiquei seu fã!”

Falar de pai, é falar de amor de pai, amor de filho, de gratidão, de cumplicidade, de exemplo e de espelho; falar de broncas, de gestos, de memórias, de puxões de orelha, de gargalhadas, de uma vida inteira; falar com o coração, falar com a alma e com o simples sorriso dele que eu carrego comigo. Letras de músicas, de poemas, de cantigas e de histórias – os nossos pais são inspiração para tudo nesse mundo. Meu pai, sem dúvida nenhuma, é meu ídolo!

Quando nascemos, não conseguimos distinguir nada; ainda não temos a noção do que logo adiante está preparado e pronto para nós. E a partir daí, precisa-se de muito pouco para começarmos a perceber que aquela mão grande e confortável é e será a nossa fortaleza. É a mão que estará ali, pronta para ajudar e acudir a gente, sempre que precisarmos. Os nossos pais, o meu pai, foi o alicerce inicial necessário para que pudesse, de fato, nascer... foi o presente de Deus na minha vida, e foi o que de melhor poderia ter acontecido; uma das maiores provas de Seu amor por mim. Meu pai é meu exemplo!

É impossível não lembrar da lágrima presa aos olhos, quando ele nos deixou pela primeira vez no colégio chorando. É impossível não notar a força que ele sempre nos passou, mesmo quando sabia que não estava nada bem. É impossível não agradecer o abraço forte, apertado, o aconchego, o carinho sem jeito, o sorriso embargado, o gesto desengonçado. É impossível não agradecer o grito, o entusiasmo, a companhia nas competições de natação, no campo de futebol, na luta do judô, nos festivais de ballet, no jazz, ou nas rodas de capoeira. É impossível não se referir à confiança de todas as horas, dos passeios aos domingos, das reuniões de família quando ele pedia silêncio, com a voz forte e grossa, para que pudéssemos fazer a oração. O churrasqueiro das reuniões, o motorista das idas à distribuidora, o despertador dos domingos de missa, o super-herói dos nossos melhores filmes, o galã da novela das oito. Meu pai é aquele que eu sempre quis ser!

Aqui entra uma questão conflitante: é impossível ser igual aos nossos pais. Meu pai é o melhor! "Filho de peixe, peixinho é!" Confesso que tento, ao máximo, ser tudo aquilo que ele é, e tudo aquilo que ele significa para mim, minha família e até mesmo meus amigos. Me sinto tão orgulhoso quando ouço: seu pai é o máximo! Estufo o peito e repito: meu pai é o máximo! Então o tempo vai passando, as coisas vão mudando, e continuamos amando cada vez mais os nossos pais. A educação que ele me deu, as palmadas bem dadas, a coragem de me deixar crescer e me entregar ao mundo. A confiança de ter entregado o carro pela primeira vez, a bronca na minha mãe quando ela quis ligar no meio da madrugada, o dinheiro escondido, o esforço de me dar uma viagem de presente. Meu pai é meu anjo da guarda!

'Pai, Eu não faço questão de ser tudo. Só não quero e não vou ficar mudo para falar de amor para você! Pai, eu cresci e não houve outro jeito; quero só recostar no teu peito, Para pedir para você ir lá em casa... Pai, você foi meu herói, meu bandido; hoje é mais, muito mais que um amigo. Nem você nem ninguém está sozinho. Você faz parte desse meu caminho, que hoje eu sigo em paz!' Meu pai é meu mundo!

terça-feira, 4 de agosto de 2009

O agora, para sempre!

Não importa o que pensam. Não importa o quanto parece loucura. Não importa o que digam. Reiterando: não importa (mesmo!) o que digam! É de coração, é de alma, é de semblante, de toque, de semelhanças, de complementações. É de abraços, de toques, de prazeres, de beijos molhadas, costas suadas, pernas entrelaçadas. É de saudades, de abismos, de despedidas, de solidões, de falta. É de igualdade, de ternura, de sentimentos, de apertos e de puxões. É de chocolate, é de sal, é de diferenças, é de misturas, é de inexplicáveis coisas. É de pensamentos, é de coincidências, de transmissões, de nostalgia, de afazeres. É clichê, é novo, é eterno, é de sonhos, de projeções e de vontades.

Eu já repeti, poucas vezes, algumas frases e vontades na minha vida. E tudo na minha vida transborda amor! Amor. Sentimento mais 'usado', falado, sentido, esbofeteado, apedrejado, cuidado, almejado, querido sobre o qual já ouvi falar. Prometi um 'para sempre' que até cheguei a achar que não existiria, em nome dessa certeza. Prometi a companhia de alguém que estaria realmente ali; mas os infortúnios e os contratempos insistiram em não cuidar daquilo, de nós, dos outros, de todos. Disse que tinha certeza de algo, mas não bastou, já que não tinham certeza da reciprocidade. Já sonhei com vidas se cruzando, se agrupando e realizando a eternidade... eternidade que só o amor promete, permite e abrange.

Não tenho intenção de falar do amor (enquanto sentimento) em si, em suma. Não temos propriedade para isso; ninguém tem. Mas falo do meu amor, daquilo que sinto, das minhas certezas... ainda mais certas do que nunca. Os amores de amigos, que se tornam nossa família; a frase bem pregada de uma 'irmã' ao dizer: "Seja benvindo à nossa família!" Um afago ao coração. Um abraço do amor de avó, um aperto no coração ao despedir dos pais, da minha 'vida'! A falta que me faz, o sentido que me completa, o valor que começo a dar a tudo que me cerca.

Exagero é não se entregar, é ter medo, é não acreditar. Exagero é deixar a desilusão, as experiências passadas, os tombos, os tropeços, os erros atrapalharem o presente, o futuro. Exagero é não lidar com os problemas, com a insegurança, com o julgamento, com a desconfiança. Exagero é não amar! Pouco tempo, muito tempo, tempo necessário... O amor transforma essa propriedade em algo relativo; só ele tem esse poder. 'Todos nós temos o nosso tempo!' Ou 'cada coisa no seu tempo'. Quando vi, estava não só transbordando, mas jorrando amor. E é assim que me sinto realmente feliz.

No passado, cheguei a sonhar coisas semelhantes; repeti alguns jargões, fiz frases ditas, encaixei peças necessárias. E, hoje, tenho orgulho de dizer que foram necessárias. Foram necessárias para me mostrar o quanto hoje é mais completo, mais seguro, mais forte, mais certo! Necessárias para que eu aprendesse que não basta querer sozinho. Necessárias para me mostrar que não dá para seguir tentando, insistindo, sofrendo; que quando menos esperamos, Deus nos dá. Necessárias para me fazer acreditar que existe alma gêmea, que existe 'a metade da laranja'. Necessárias para fazer com que eu veja que está na hora, que agora sim é o que sempre quis. Necessárias para serem cuidadas, acariciadas e minuciosamente regadas. Necessárias para dizer: eu te amo, e é com você que quero viver o meu 'para sempre'!

sexta-feira, 31 de julho de 2009

As escolhas na contramão

Ações, complementações, vivências, experiências, filtro. A vida é feita de escolhas, e nós utilizamos as nossas vontades da forma mais simples e prática que conseguimos. Se eu quero ir à sorveteria no meio da tarde, eu arrumo um jeito e vou. Se eu quero dormir mais cedo, eu nego todos os convites e caio na cama. Se eu quero sair para dançar, eu saio e me distraio ao máximo. Se eu quiser aceitar um convite para jantar, não penso nem duas vezes. Se quero viajar no final de semana, convido alguns amigos e vou. Se quero visitar meus pais, me viro em três e consigo tomar o rumo. A questão é: As nossas escolhas dependem de nós, apenas de nós. Mas aí começo a pensar: o quanto isso é verdadeiramente dessa forma?

Em um tempo bem remoto, cheguei a aceitar convite de amigos para as baladas exageradas e rotineiras mesmo sem querer. Saí da cama no meio da madrugada para cuidar do conhecido que tinha saído do boteco bêbado. Viajei para o interior para agradar meus pais, mesmo tendo a oportunidade de fazer outra viagem. Sorri para o amigo triste, mesmo querendo chorar. Me calei diante da vontade do outro. Passei por cima de princípios e valores para tentar agradar. Proferi palavras infames, mesmo não me sentindo à vontade. Falei o que você queria ouvir, apenas para te ver satisfeito. Eu carreguei o peso nas costas, e deixei os outros leves, soltos e tranquilos. Eu briguei por ideais que não eram meus. Eu me fingi forte, para não incomodar. Eu enfrentei tempestades, e me fiz fortaleza. Eu engoli vespas, e não consegui digeri-las.

Sei que não é só comigo, e que tudo na vida é fase. E me remeto a isso com uma segurança de novos tempos, de vontades iguais e de sonhos compartilhados. E volto ao foco resumindo: muitas vezes, eu fiz o que os outros queriam, exigiam, esperavam, e deixei meus limites de lado. Não acho que isso tenha sido de todo ruim, ou até mesmo que seja um problema. Mas sei que hoje vejo as coisas diferentes, e por um ângulo mais calmo, mais seguro, mais sensível. Faço o que quero, e faço com vontade. O sorriso é mais sincero, o coração é mais calmo, as pessoas se sentem mais próximas, menos preocupadas, e eu me torno completamente alegre.

Aí entra a questão contraditória, e até mesmo complementar. Eu ainda 'abro mão' para algumas coisas, ou para todas. Mas abro mão com a consciência de que eu me sentirei bem com aquilo, e que é realmente o que quero fazer. O amigo que me convida para ir à boate matar a saudade, ou jogar conversa fora e rir das situações ganha minha companhia, mesmo estando cansado e preferindo uma noite de sono. Se meu companheiro quer ir à boate uma, duas ou três vezes por semana, eu serei um excelente companheiro, porque abro mão para ver ele satisfeito, e porque sei que isso refletirá em mim. Se minha amiga quer que eu deixe de ir a algum lugar porque ela quer minha companhia, não penso nem duas vezes; "estou com ela e não abro"! Se o sol está escaldante na manhã de quarta-feira e o convite para o clube é feito, saio da minha confortável cama para aproveitar algumas horas de diversão.

Com isso, vejo o quanto é importante viver; viver de verdade. Como é bom abrir mão de preceitos, vontades e comodismos para acompanhar uma pessoa querida, um amor, um amigo, a família. Como é bom ganhar novos ares e renovar das maneiras mais improváveis possíveis. Como é bom dar um voto de confiança e se jogar, arriscar, cair, levantar. Como é bom abrir mão do dia a dia, do mau tempo, do conflito, do cansaço, da preguiça. Como é bom ser notado, ser reconhecido e ter com quem contar. Como é bom ver o sorriso de gratidão, de bom senso e de acolhimento. Como é bom saber que se é útil, querido, escolhido, lembrado. Como é bom abrir mão das mazelas, e dos erros. E eu continuo com a certeza de que sempre abrirei mão para o que for preciso...

quarta-feira, 29 de julho de 2009

[quase] Um basta!

Cansei de esperar dos outros. Cansei de me preocupar com as coisas que ninguém se preocupa, e que só eu insisto em importar. Cansei dos outros me julgarem. Cansei de sentir as dores que só eu sinto. Cansei de sofrer com o que vem, insiste em me atingir, em me derrubar. Cansei de ficar preocupado com o futuro, com o que vai acontecer. Cansei de trazer comigo as vontades que só eu tenho.

Cansei dos tombos, das porradas, dos infortúnios. Cansei de tentar levantar e continuar andando. Cansei da inveja dos outros. Cansei das minhas coisas engraçadas. Cansei da vontade de continuar tentando. Cansei de esperar, de imaginar, de vislumbrar. Cansei dos outros em mim, e dos outros comigo. Tenho cansado da vontade de completar minhas andanças, e de tentar chegar a algum lugar.

Cansei de dizer eu te amo, e de não sentir ser amado. Cansei de sofrer com antecedência. Cansei das minhas inseguranças, e do meu dia a dia. Cansei do achar, do projetar e do recorrer. Cansei dos outros não me conhecerem, e falarem de mim como se eu fosse sua propriedade. Cansei de aparências, e de achismos. Cansei do abuso e da falta que sempre senti. Cansei do bom dia sem resposta, cansei do sorriso cansado. Cansei do entusiasmo de outrora.

Cansei de doações e de complementações. Cansei de dizer, de escrever e de reler. Cansei de fazer por esperar; e de esperar todo tempo. Cansei de não me cuidar, e de me preocupar com aquilo que não me pertence. Cansei de sonhar e de acreditar. Cansei de sentir, de pressentir, de buscar. Cansei de acreditar e esperar que dure mais que um dia, mais que um mês, ou um ano. Cansei de achar que o problema é comigo, e que todos estão certos. Cansei de acreditar que sempre tenho uma parcela de culpa. Cansei de ser submisso e de aceitar o que chega.

Cansei de cansar pela segunda, terceira ou quarta vez. Cansei de saber que a vida é assim! Cansei da vida em si. Cansei, e agora ficarei quieto... cansando com o trabalho, com as cobranças e com as responsabilidades. Cansei de caminhar sozinho, e cansei de saber que não nascemos para seguir solitários.

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Um brinde às surpresas!

Eu sempre fui muito carente, e isso é fato! Quando era criança, não saía da 'barra da saia' da minha mãe. Meu pai nunca gostou de sair; trabalhava o dia inteiro, e quando chegava em casa, não atendia nem o telefone, que insistia em tocar ao seu lado, ali na mesinha... mesmo assim, não adiantava nem esperar um movimento dele para aquela ação. Corríamos como uns doidos, eu e meus irmãos, para finalizar o repetido toque do telefone. Então era assim: eu e minha mãe na rua o tempo inteiro, e meu pai descansando em casa, com meus irmãos jogando videogame. Minha mãe me conhecia como ninguém. Ela sabia o quanto eu gostava de surpresas. Se era uma balinha, ela mirabolava uma forma mágica para que eu tivesse a surpresa de ganhá-la; e isso era uma coisa que me acompanhava rotineiramente.

Eu sempre gostei de surpresas! Quem nunca gostou, afinal? Eu sabia que não existia Papai Noel... eu sempre soube. Mesmo assim, ganhar o presente de Natal à meia noite, ao pé da cama, às escondidas, pé ante pé, era muito melhor do que recebê-lo das mãos dos meus pais. O par de roupas impecavelmente na moda engomado no pacote brilhante era um toque de sensibilidade imenso. Os cafés da manhã aos domingos, antes de ir para a missa, era uma surpresa já esperada. A viagem do fim de ano era comunicada quase em cima da hora. Quando era criança, essa sensação estava comigo o tempo inteiro... Afinal, essa era uma das poucas constantes na minha infância.

Eu era (sou) esperto! Foram três tentativas de fazer uma festinha surpresa no dia do meu aniversário, quando ainda morava no interior. Era cômico, era engraçado, era estranhamente sensível... Minha mãe combinava com a diretora e a professora, e durante a aula eu era chamado para um telefonema sem nexo na sala da diretoria. Não precisava de muito; já saia da sala rindo. Outra vez, me levaram para visitar uma tia, tomar um sorvete, 'admirar a cidade' antes de uma provável saída para a sorveteria, onde iria comemorar com alguns amigos mais íntimos. Saía de casa impecavelmente arrumado e pronto para a mudança de planos. Depois, uma tarde no clube, já que era sábado, mas chegava em casa limpo e com a camiseta amarela nova, que destacava o bronze detalhadamente adquirido. E eu ainda conseguia fazer aquela cara de surpresa. A melhor sensação era olhar para a minha mãe e ver que ela tinha conseguido o que queria.

Então a gente cresce! Os compromissos aumentam, as horas passam mais rápido, os trabalhos consomem, as noitadas nos cansam, os objetivos mudam, a juventude vai passando. Mesmo assim, as surpresas se fazem presente. É como eu sempre digo: tudo é questão de prioridade, de carinho, de afeto. Me recordo do único aniversário surpresa que conseguiram fazer. Fui chamado para um churrasco, no final de semana anterior à semana do meu aniversário. "A minha família virá, passaremos o dia aqui". Não desconfiei de nada; não esperava aquele presente. Todos os melhores amigos reunidos para celebrar mais um ano de vida. E eu fui inocente; talvez porque seja realmente uma das poucas pessoas de quem eu não duvido, acredito em tudo que diz. Eu estava tão ansioso para passar o dia lá, que não reparei nem nos carros na porta com o adesivo de 'jornalismo-UFG', ou do Cross Fox amarelo tão conhecido. Quando abri a porta, estavam todos lá... e eu não sabia o que fazer.

Agora as surpresas se resumem a coisa boas, coisas gostosas. E há tempos não as recebia, não as presenciava, sequer sentia-as. Em um dia qualquer, de uma noite qualquer, com a sintonia de um beijo qualquer, sem a expectativa nenhuma, eis que aconteceu. Uma surpresa na minha vida... uma surpresa que se transformou em todas as outras coisa boas que tem acontecido. Resumo-a no seguinte: depois de uma noite no cinema, na companhia de novos amigos, ao chegar em casa, pronto para uma noite de amor e de bom sono, ali estava a caixa de Diamante Negro, muito bem escolhida, e uma 'lembrancinha' sentimentalmente embrulhada, um beijo gostoso, os olhos marejados, o coração acelerado. Uma surpresa que me fez pensar em todas as outras da minha vida! Uma surpresa que me fez querer escrever, agradecer, completar, viver, sorrir... Uma surpresa que me fez querer surpreender! Um brinde às coisas boas da vida!

terça-feira, 21 de julho de 2009

Não são meus problemas

Começo a pensar o quanto somos vulneráveis. O quanto somos enganados. O quanto as pessoas são maldosas. Começo a me questionar qual o verdadeiro sentido de existirmos em sociedade, e a refletir sobre as várias questões humanitárias e inúteis, que desde a existência do homem, são presentes no dia a dia de qualquer um. Logo depois, ao sentar na cadeira desconfortável do trabalho, entre um intervalo e outro, entre um login ou um download, desisto de tentar entender essas questões. Não adianta! Nós nunca entenderemos o quanto somos diferentes, e como devemos ser submissos a (quase) tudo. É uma cadeia, uma pirâmide, castas, colocações, posições. Porque a relação empregado-subordinado não pode ser agradável? Se eu não tenho 500 mls de silicone nos peitos e na bunda, se eu não me insinuo, se eu não 'puxo saco', eu não sou um bom funcionário. Salvo as exceções, vejo, presencio e convivo com isso todo o tempo.

Ser hipócrita, hoje em dia, é uma coisa rotineira. As pessoas, às vezes, não querem ser sinceras, não querem agradar, não querem, ao menos, ser educadas. Qual o problema em reconhecer o trabalho do outro? Em aceitar que o outro tem qualidades a mais do que eu? Que o outro pode ser competente tanto quanto eu? Se eu sou feio, desarrumado e fedido, quase ninguém me olha, me percebe... mas o contrário te faz um burguesinho bem relacionado, simpático, visível, um ser extremamente notável e agradável. E digo isso porque eu nunca me preocupei com essas coisas - não com esses pressupostos; e porque eu nunca fui engajado. Nunca! Militâncias, problemas relacionados ao mundo, aos instintos, ao psicológico, ao meio ambiente, aos outros... nada me preocupou, me preocupava e acredito que nunca preocupará! Então isto tudo serve como um desabafo. É inacreditável!

No início do dia, ao realizar as minhas rotineiras leituras, visito o blog de uma amiga e participo de um dia em que ela relata a militância em Brasília, quando ela percebe essas características ao cobrir uma matéria que teria que fazer. Mas não quero fugir do foco... O fato é: eu, que nunca fui preocupado com isso, hoje me vejo extremamente chateado com essas relações, com as injustiças, com a prepotência, a arrogância. Não vejo o porquê de ser necessário a existência disso tudo. A máxima da 'igualdade para todos' nunca foi uma verdade. Aparência, atitudes, insinuações, posições, status sempre foram ponderantes - nada mais óbvio, claro.

Uma pena mesmo é saber que não há estimativa de mudanças, não há, sequer, esperança. Trabalho bem feito, dia cansativo, doação, concentração, estresse. As recompensas virão? De certa forma sim, mas isso não muda o fato de passar por humilhações desnecessárias, de viver problemas que não são seus, de ver e ouvir coisas horríveis. É inerente ao ser humano, eu sei, mas se pudesse, sumiria de vez! Não como sintoma de fraqueza, ou de impotência, ou até mesmo de covardia... mas sim de angústia, de sentir os pés e mãos atados, de não saber para onde correr, de saber que não há como mudar o mundo! Um tanto de vivências, de verdades, de mentiras e de criações. Um tanto de mim, um monte de você!

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Lições e missões

Eu aprendi que pai e mãe são os nossos melhores amigos; mas que podemos somar a eles outros grandes amigos. Aprendi que trabalhar com o que se ama é realmente melhor; mas que não há como fugir dos 'ócios do ofício'. Aprendi a aceitar que existem diversas formas de falar a verdade; mas que [quase sempre] nunca queremos ouvir as verdades inconvenientes a nós. Aprendi que amor se constrói; mas que ele se destrói com o tempo. Aprendi a distinguir que azul é mais bonito que verde; mas que os dois juntos são ainda mais interessantes. Aprendi a perceber que gosto de ir ao cinema; mas que não é bom ir com quem não gosta. Aprendi que ciúme não é bom e não é ruim; mas que, na medida certa, é fundamental.

Eu aprendi que todos somos diferentes; e que não adianta querer mudar os outros. Aprendi que companheirismo é convivência; e que exige um esforço imenso. Aprendi que noite é melhor que dia; mas que colocar um óculos de sol no rosto é sensacional. Aprendi que calça jeans e havaianas combinam; e que a camiseta branca dá um 'toque especial'. Aprendi que não devo me preocupar com o amanhã; mas que fazer planos é estimulante. Aprendi que não gosto de sexo; mas que o toque da pele é gostoso. Aprendi que ser carente não é problema; mas que projetar ela nos outros é confusão. Aprendi que não adianta gritar; e que o silêncio, às vezes, compensa mais.

Eu descobri que quero correr com o tempo; mas tenho medo de não aproveitá-lo. Aprendi que quero viver sorrindo; mas os problemas não deixam. Aprendi que não adianta esperar, e que tudo acontece quando menos imaginamos. Aprendi que um "bom dia" não precisa de resposta; mas que se assim for, ficamos sem graça. Aprendi que surpresas são benvindas; mas que se não forem boas, melhor não tê-las. Aprendi que, apesar dos 'pesares', podemos nos apaixonar; mas que é difícil lidar com as diferenças. Aprendi que para sermos felizes temos que estar com alguém; mas que não seremos se isso for uma necessidade. Aprendi, então, que ficar sozinho é gostoso; mas que é bom ter uma mensagem de carinho, um beijo apaixonado e, quem sabe, uma companhia para todas as horas.

Aprendi a gostar de cozinha; e que cozinhar o que comemos é uma delícia. Decidi que a culinária japonesa é a melhor; mas aprendi que não agrada a todos os paladares. Aprendi que não basta dizer 'eu te amo', e também, que demonstrar é fácil... aprendi que difícil mesmo é manter esse sentimento. Aprendi que posso ler um livro em uma boa viagem; mas que não devo dedicar todo meu tempo a isso. Aprendi que viajar é uma das melhores coisas do mundo; mas que ficar em casa tem as suas vantagens. Aprendi que ir à praia é excelente; mas que passar um dia com os amigos em um clube é tão bom quanto.

Aprendi que ainda não sei nada, e que quero continuar aprendendo. Aprendi que a felicidade, a sorte e os bons momentos são únicos; mas que eles também dependem de nossas escolhas. Aprendi que é necessário carinho, afeto, e que devemos cultivar quem e o que gostamos. Aprendi que a vida é um livro, uma história contada, vivida...

quinta-feira, 9 de julho de 2009

A minha sina

Eu sou ansioso. Minha mãe é extremamente ansiosa - o que reflete na insônia que insiste em deixá-la cansada e mal. Meu pai é visivelmente ansioso - o que faz com que ele tome seus remédios para dormir. Minha vó é exageradamente ansiosa - o que a tira do descanso vespertino para limpar a casa mais uma vez, ou fazer um biscoito diferente. Tenho amigos compulsivamente ansiosos, que insistem em me acompanhar nos ritmados balanços das pernas, ou nas manias mais características, como roer as unhas ou atropelar as palavras de uma pessoa, que marcam as reuniões em casa, ou a expectativa ao assistir um filme. Definitivamente, quase todos somos ansiosos. Mas isso, nesse momento, é uma coisa que muito me preocupa.

Vazio no estômago. Coração batendo rápido. Medo intenso. Aperto no tórax. Transpiração. Ao ler um pouco sobre o que é em si a ansiedade, percebi que ela é uma característica biológica do ser humano, que antecede momentos de perigo real (ou imaginário). Ser ansioso é uma característica inerente a nós, que insistimos em esperar, imaginar, desejar, projetar... O telefone que toca lá longe, no quarto, me traz um aperto no coração. A ligação do chefe da Redação me deixa preocupado. Os planos para o final de semana são detalhadamente acolhidos. A espera de uma mensagem, ou recado, me fazem ficar preso àquilo, somente aquilo. A percepção que tenho disso, na maioria do tempo, é natural, é intrínseca.

Quando menos esperamos, as coisas se aproximam, chegam e se apossam. Como devo agir mediante responsabilidades delegadas em tão pouco tempo, e de tamanha relevância? O fato nem é a preocupação de que se 'darei ou não conta do recado', mas sim se conseguirei atingir ou superar as minhas próprias expectativas. Ao conversar com uma amiga o quanto estou preocupado, escuto um breve elogio, um 'empurrão' para enfrentar com coragem e confiança a nova etapa. Tenho comigo o fato de que realmente não precisaria de nenhuma palavra. Às vezes [quase sempre], a única coisa que precisamos é de ser ouvido, ser acolhido. Não tenho medo das novidades: o novo é um desafio, uma busca, uma superação; algo que fará com que me sinta melhor.

Ainda assim, me sinto ansioso, nervoso, quase todo o tempo - e não é uma coisa patológica. Não vivo a ansiedade só quando surgem novidades, ou algo muda e foge do meu controle. Eu sou naturalmente nervoso. Cada página de um livro que passo, a cama se balança mais, a testa fica fortemente enrugada e a expectativa é notavelmente percebida. Seja ao acordar, ao passar do dia, ao deitar; a ansiedade insiste em me acompanhar, e eu levo-a comigo todo o tempo. Ser ansioso, no final das contas, é a minha sina - é a sina de qualquer um de nós.