terça-feira, 21 de julho de 2009
Não são meus problemas
Ser hipócrita, hoje em dia, é uma coisa rotineira. As pessoas, às vezes, não querem ser sinceras, não querem agradar, não querem, ao menos, ser educadas. Qual o problema em reconhecer o trabalho do outro? Em aceitar que o outro tem qualidades a mais do que eu? Que o outro pode ser competente tanto quanto eu? Se eu sou feio, desarrumado e fedido, quase ninguém me olha, me percebe... mas o contrário te faz um burguesinho bem relacionado, simpático, visível, um ser extremamente notável e agradável. E digo isso porque eu nunca me preocupei com essas coisas - não com esses pressupostos; e porque eu nunca fui engajado. Nunca! Militâncias, problemas relacionados ao mundo, aos instintos, ao psicológico, ao meio ambiente, aos outros... nada me preocupou, me preocupava e acredito que nunca preocupará! Então isto tudo serve como um desabafo. É inacreditável!
No início do dia, ao realizar as minhas rotineiras leituras, visito o blog de uma amiga e participo de um dia em que ela relata a militância em Brasília, quando ela percebe essas características ao cobrir uma matéria que teria que fazer. Mas não quero fugir do foco... O fato é: eu, que nunca fui preocupado com isso, hoje me vejo extremamente chateado com essas relações, com as injustiças, com a prepotência, a arrogância. Não vejo o porquê de ser necessário a existência disso tudo. A máxima da 'igualdade para todos' nunca foi uma verdade. Aparência, atitudes, insinuações, posições, status sempre foram ponderantes - nada mais óbvio, claro.
Uma pena mesmo é saber que não há estimativa de mudanças, não há, sequer, esperança. Trabalho bem feito, dia cansativo, doação, concentração, estresse. As recompensas virão? De certa forma sim, mas isso não muda o fato de passar por humilhações desnecessárias, de viver problemas que não são seus, de ver e ouvir coisas horríveis. É inerente ao ser humano, eu sei, mas se pudesse, sumiria de vez! Não como sintoma de fraqueza, ou de impotência, ou até mesmo de covardia... mas sim de angústia, de sentir os pés e mãos atados, de não saber para onde correr, de saber que não há como mudar o mundo! Um tanto de vivências, de verdades, de mentiras e de criações. Um tanto de mim, um monte de você!
quinta-feira, 16 de julho de 2009
Lições e missões
Eu aprendi que todos somos diferentes; e que não adianta querer mudar os outros. Aprendi que companheirismo é convivência; e que exige um esforço imenso. Aprendi que noite é melhor que dia; mas que colocar um óculos de sol no rosto é sensacional. Aprendi que calça jeans e havaianas combinam; e que a camiseta branca dá um 'toque especial'. Aprendi que não devo me preocupar com o amanhã; mas que fazer planos é estimulante. Aprendi que não gosto de sexo; mas que o toque da pele é gostoso. Aprendi que ser carente não é problema; mas que projetar ela nos outros é confusão. Aprendi que não adianta gritar; e que o silêncio, às vezes, compensa mais.
Eu descobri que quero correr com o tempo; mas tenho medo de não aproveitá-lo. Aprendi que quero viver sorrindo; mas os problemas não deixam. Aprendi que não adianta esperar, e que tudo acontece quando menos imaginamos. Aprendi que um "bom dia" não precisa de resposta; mas que se assim for, ficamos sem graça. Aprendi que surpresas são benvindas; mas que se não forem boas, melhor não tê-las. Aprendi que, apesar dos 'pesares', podemos nos apaixonar; mas que é difícil lidar com as diferenças. Aprendi que para sermos felizes temos que estar com alguém; mas que não seremos se isso for uma necessidade. Aprendi, então, que ficar sozinho é gostoso; mas que é bom ter uma mensagem de carinho, um beijo apaixonado e, quem sabe, uma companhia para todas as horas.
Aprendi a gostar de cozinha; e que cozinhar o que comemos é uma delícia. Decidi que a culinária japonesa é a melhor; mas aprendi que não agrada a todos os paladares. Aprendi que não basta dizer 'eu te amo', e também, que demonstrar é fácil... aprendi que difícil mesmo é manter esse sentimento. Aprendi que posso ler um livro em uma boa viagem; mas que não devo dedicar todo meu tempo a isso. Aprendi que viajar é uma das melhores coisas do mundo; mas que ficar em casa tem as suas vantagens. Aprendi que ir à praia é excelente; mas que passar um dia com os amigos em um clube é tão bom quanto.
Aprendi que ainda não sei nada, e que quero continuar aprendendo. Aprendi que a felicidade, a sorte e os bons momentos são únicos; mas que eles também dependem de nossas escolhas. Aprendi que é necessário carinho, afeto, e que devemos cultivar quem e o que gostamos. Aprendi que a vida é um livro, uma história contada, vivida...
quinta-feira, 9 de julho de 2009
A minha sina
Vazio no estômago. Coração batendo rápido. Medo intenso. Aperto no tórax. Transpiração. Ao ler um pouco sobre o que é em si a ansiedade, percebi que ela é uma característica biológica do ser humano, que antecede momentos de perigo real (ou imaginário). Ser ansioso é uma característica inerente a nós, que insistimos em esperar, imaginar, desejar, projetar... O telefone que toca lá longe, no quarto, me traz um aperto no coração. A ligação do chefe da Redação me deixa preocupado. Os planos para o final de semana são detalhadamente acolhidos. A espera de uma mensagem, ou recado, me fazem ficar preso àquilo, somente aquilo. A percepção que tenho disso, na maioria do tempo, é natural, é intrínseca.
Quando menos esperamos, as coisas se aproximam, chegam e se apossam. Como devo agir mediante responsabilidades delegadas em tão pouco tempo, e de tamanha relevância? O fato nem é a preocupação de que se 'darei ou não conta do recado', mas sim se conseguirei atingir ou superar as minhas próprias expectativas. Ao conversar com uma amiga o quanto estou preocupado, escuto um breve elogio, um 'empurrão' para enfrentar com coragem e confiança a nova etapa. Tenho comigo o fato de que realmente não precisaria de nenhuma palavra. Às vezes [quase sempre], a única coisa que precisamos é de ser ouvido, ser acolhido. Não tenho medo das novidades: o novo é um desafio, uma busca, uma superação; algo que fará com que me sinta melhor.
Ainda assim, me sinto ansioso, nervoso, quase todo o tempo - e não é uma coisa patológica. Não vivo a ansiedade só quando surgem novidades, ou algo muda e foge do meu controle. Eu sou naturalmente nervoso. Cada página de um livro que passo, a cama se balança mais, a testa fica fortemente enrugada e a expectativa é notavelmente percebida. Seja ao acordar, ao passar do dia, ao deitar; a ansiedade insiste em me acompanhar, e eu levo-a comigo todo o tempo. Ser ansioso, no final das contas, é a minha sina - é a sina de qualquer um de nós.
quarta-feira, 8 de julho de 2009
Retratos da liberdade
Liberdade. Substantivo feminino, com um significado forte e com um histórico presencial. 'Faculdade de fazer ou de não fazer qualquer coisa, de escolher. Independência: conquistar a liberdade'. Outro dia, comecei a pensar os vários sentidos que essa palavra carrega, e por acaso, em uma longa e cansativa espera na sala de um consultório médico, li o artigo de Lya Luft na Veja sobre esse mesmo assunto, e comecei a me questionar a credibilidade do real valor que ela nos traz - ao longo da vida.
Temos a vaga sensação de que somos donos das nossas escolhas, e que tudo que fazemos é reflexo de uma vontade e decisão nossa. Ledo engano. A vontade de comer o Big Tasty mais tarde é guiada por uma parcela de valor imposta pela propaganda: 'O grande matador, do tamanho da sua fome'. Golpe baixo; realmente, a minha fome é enorme, quase todo o tempo. A compra daquele cachecol novo, ou daquele Mocassim chique é determinada, também, pela beleza que se enxergou quando o modelo apareceu maravilhosamente photoshopado naquela revista famosa. "Cachecol preto que combina com sua camisa: 60 reais. Mocassim branco-gelo na promoção imperdível: 79 reais. Aquela outra camiseta listrada maravilhosa para uma próxima saída do outro final de semana ainda: 115 reais. Óculos gigantes combinando com seu rosto redondo: 189 reais. Baladinha no final de semana: 100 reais. Continuar consumindo desmedida e compulsivamente: Não tem preço". Malditos cartões de crédito.
'Direito que alguém se arroga: tomar a liberdade de contradizer uma pessoa. Liberdade de opinião, de pensar, direito de exprimir cada um de seus pensamentos, suas convicções'. Fala sério! Vai dizer à sua amiga que você não concorda com o fato dela sofrer pelo ex-namorado, que não se importa com ela. Vai falar para os seus pais que tatuagem não é coisa de "maloqueiro". Vai dizer à sua avó que o Roberto Carlos não é o melhor cantor do mundo. Diga ao colega que aquela foto está muito photoshopada. Tente dizer a uma pessoa que você não acredita naquilo que ela defende piamente. É um dever, às vezes, se relacionar bem com quem se gosta. O direito, transformado no oposto, carrega consigo uma carga pesada, um fardo que chega a ser exagerado.
'Liberdade natural; direito que o homem tem por natureza de agir sem qualquer constrangimento externo'. Complicado. Complicadíssimo, para falar a verdade. Nesse ponto, entra a questão do preconceito, dos tabus, dos (pré)conceitos formados ao longo da vida, e mais um tanto de poréns. A vida em sociedade exige que eu me porte de uma forma, que algumas vezes, não condiz com aquilo que realmente quero fazer ou falar. Aos olhos dos outros, o 'diferente' é chocante; chega a ser repulsivo. Como devo agir para não ser taxado, para não ser apontado? O jargão 'cada um cuida da sua vida' vai, totalmente, por água abaixo.
'Maneira de agir com audácia: tomar liberdade com qualquer pessoa'. Acredito, apesar de tudo, que os conceitos de liberdade, no final, são ditados por nós. São contradições que se complementam, e que determinam o motivo de sê-las. Vou tomar a liberdade de continuar agindo da forma que me convém, mantendo, melhorando... tudo de acordo com aquilo que quero. Como tudo na vida, as diferenças se contrapõem e todos somos guiados por escolhas próprias. Repetitivo, cansativo, monótono. As palavras óbvias aqui ditas são reflexos da liberdade que tomo de falar com audácia: eu não te dou a liberdade que não quero que tenha. "A nossa liberdade termina quando começa a liberdade do outro".
quinta-feira, 2 de julho de 2009
Os meus tratos
Tudo começa por nós! É clichê e repetitivo ouvir e falar que 'as melhorias de tudo nesse mundo parte do individual'; "faça a sua parte, que já estará fazendo o suficiente para melhorar a sua casa, o seu bairro, a sua cidade, o seu país" - não jogue lixo na rua, não ande muito de carro, não ofenda o próximo - mesmo que o outro o faça. Seja a diferença! Não é difícil, então, perceber que tudo na nossa vida é determinado pelas prioridades. Não trato as questões políticas com a mesma seriedade e paixão que trato as discussões de cinema, por que, realmente, estou descrente dessa roubalheira, dessas confusões, dessas mentiras. Vê-se, como exemplo determinante, o movimento #ForaSarney. Quantas pessoas aderiram a ele? Quantas pessoas se preocupam realmente com o que está acontecendo no Senado? Quantas pessoas sabem o quanto isso nos atinge, o quanto é próximo?
E não vamos longe - vou citar exemplos mais próximos, mais pessoais! Nada [n-a-d-a!] no mundo, com toda minha pequena experiência de amores, decepções e vivências, justifica o fato de uma pessoa se amar menos do que ama o outro. Qual a relação com o que tenho falado até agora? Simples: trato com paixão e seriedade aquilo que me compete também. Nós não deveríamos sofrer tanto por alguém que nos traiu algumas vezes, que nos trocou, que não nos respeitou, enfim, que não nos ama de verdade. Falta paixão por si próprio... falta ponderar a razão e a emoção. E eu nem sou racional, quando se trata de sentimentos; mas eu sei o quanto devo cuidar de mim, o quanto devo ser prioridade ao me relacionar com qualquer outra pessoa.
'Chorar faz bem! Sorrir mais ainda!' Como eu vou me preocupar com a política, se a coisa anda tão feia, e eu nem me preocupo comigo mesmo? Como eu vou cuidar daquilo que acredito estar tão longe, se eu não sei cuidar nem dos meus relacionamentos, tão próximos? O futebol, pelo menos, relaxa, não é cansativo, não é monótono, não é burocrático. Mas, ainda assim, eu poderia aprender a lidar melhor com minha paixão, com meu empenho, com a minha disposição. Se parássemos para pensar, poderíamos mover o mundo [pelo menos o 'nosso' mundo] se fôssemos sérios ao fazer as nossas escolhas, ao agirmos e ao caminharmos nas direções certas. Não temos porque fugir disso! Basta tratarmos corretamente as questões que, de fato, são importantes. E eu nem sou ninguém para falar isso... mas, (in)felizmente, é comprovado!
Depois disso, depois de nós, de nossas pessoalidades, aí sim, quem sabe?, possamos, realmente, dar cabo das outras questões que tanto são, também, preocupantes. Olho para mim, agora, e percebo o quanto falta para o Brasil melhorar. Quero cuidar de você; mas ainda tenho que cuidar de mim!
sábado, 27 de junho de 2009
Eu já fui perfeito!
Em uma tarde monótona [se é que dá para chamar uma tarde em uma redação de jornal de monótona], cansativa e estressante - daquelas que tenho citado com frequência -, ao conversar com um 'amigo virtual', eu ouvi a seguinte pergunta: "Para qual time você torce?". Estávamos conversando há algum tempo, há mais de umas cinco ou seis horas, mais ou menos. E quando já tínhamos falado de (quase) tudo, eis que surge a pergunta. Mais do que de prontidão, fui logo respondendo: "Eu não torço por time nenhum. Por quê?". E digo isso sem medo de ser repudiado mesmo. Para ilustrar, recordo-me que mais cedo quase fui linchado da redação ao dizer que não sabia que o Brasil jogaria contra os EUA amanhã e, para piorar, que a seleção iria sequer jogar amanhã. Como quem quisesse consertar, ainda soltei um "ah, é verdade, amanhã é jogo do Brasil contra o Peru". De onde eu tirei isso, eu não sei... mas o fato é que as funções do jornal têm me deixado sem tempo para outras coisas; ou para quase tudo. Não que isso justifique a falha.
Ao responder o porquê da pergunta, esse meu amigo disse: "Por que se você torcesse para o São Paulo, você seria perfeito". Pronto! Bastou essa frase para minha cabeça começar a funcionar, e para eu voltar àquela nostalgia que insiste em me acompanhar nos últimos tempos. Ao contrarresponder a sua afirmação, eu disse que isso não era bom, e não era ruim, porque eu poderia torcer para qualquer time que eu quisesse, dependendo da situação. [Me desculpem os torcedores fanáticos, que amam o futebol e veneram seus times. Isso vai além de qualquer vontade minha].
Nesse momento, eu me enchi de lembranças e comecei a acompanhar um raciocínio que é maravilhoso. Lembro-me como se fosse nos dias de hoje, a época de futebol do colégio - sim, eu arrisquei a jogar na zaga e cheguei a defender o time da escola no gol em um campeonato local, os famosos Jogos Colegiais - "Frangueiro", "Perna de pau" eram os nomes mais bonitinhos que eu conseguia entender. Mesmo assim, eu não deixava que me intimidassem. Mas essa nem é a questão. O fato é que, como nos dias atuais, os amigos vêm, vão, mudam, conservam-se, mantêm-se, fortalecem-se, afastam-se; e naquela época não era diferente, (in)felizmente. Naqueles 'remotos' tempos, eu cheguei a torcer pelo Corinthians, porque o meu melhor amigo também torcia; defendi o São Paulo como o melhor de todos os tempos, por que o meu novo melhor amigo defendia-o; gritei pelo Vasco, porque o melhor programa para a quarta à noite era reunir a turma para cruzar os dedos juntos. Eu passei por uma gama de clubes.
Olha que coisa legal: antigamente, torcer por algum time era um pré-requisito para ser de uma turma, ou mesmo apenas para ser descolado e ter assunto para conversar na hora em que todos só falavam disso. E eu nunca gostei de futebol. Nunca! Toda minha história pregressa prova que as minhas passagens pelo futebol foram sintomas, imposições, desenvoltura, lábia. A verdade é que, um dia, nesse conceito de definições e vivências, eu cheguei a ser perfeito!
terça-feira, 23 de junho de 2009
Meu videogame
Vale ressaltar que eu ganhei um vídeogame, um Play Station 2, com uma coletânea inteira de jogos - os ruins, os bons e os perfeitos. Tem coisa melhor do que deitar em um amontoado de almofadas, comer brigadeiro com pão assado, coca-cola e horas de risadas com amigos que não via ha algum tempo? Confesso que nem me lembrava disso. E ontem não era para ter sido um dia assim...
Saí do trabalho como se fosse para a cama. 'Ufa, mais um dia completado. Agora é descansar para começar tudo de novo amanhã'. Ao entrar no carro, o celular toca. "Oi, estou te ligando para falar que eu e as meninas estamos indo para sua casa jogar videgame. Pega a Siclana e vamos comer algo"; depois dá-lhe sessão nostalgia. Engraçado que é uma sensação boa. Apesar do cansaço de hoje, das horas de sono atrasadas, da falta de concentração e das pescadas sobre o teclado do computador, eu me sinto extremamente realizado. Acho que eu merecia fazer essa 'loucurinha'... Afinal, eu fazia isso, em tempos remotos, todos os dias, praticamente.
Super Mário World! Não conseguíamos nem sentar. Aquela musiquinha era motivo de pulos, de euforia e rendeu até uma coreografiazinha. Entre os gritos de 'agora é minha vez', o pão esquentando no fogão e o brigadeiro aromatizando o apartamento, eis que o celular toca. Uma surpresa! Aí tudo ficou mais divertido ainda, mais engraçado, mais empolgante. Logo depois passamos para MárioKart, eu conseguia ganhar... ainda tinha habilidade para esses joguinhos. Passamos para Street Fighter, só que não agradou a alguns. No Mortal Kombat, o grande destaque da noite, não teve ninguém que ganhou de mim... e olha que a torcida adversária era unânime. E acabamos em Bomberman.
Uma bolha no dedo, os dois copos de café, as 'pescadas' e a inquietação não são nenhum problema perto da noite agradabilíssima que tive. É bom lembrar o quanto era maravilhoso ser criança... lembrar que a única preocupação que tínhamos ao acordar era qual estratégia iríamos usar para passar daquela fase do Donkey Kong, ou como faria para vencer o chefão do Aladin, ou até mesmo que horas poderia sentar em frente a TV e ficar horas intermináveis saboreando todas aquelas novidades, explosões de cores, sons e gráficos. São pequenas coisas, mas que fazem com que a gente se sinta bem; simples assim!
segunda-feira, 22 de junho de 2009
Nostalgia - uma homenagem a você, amigo!
'O Roh - propositalmente assim - mudou. O Roh não é mais aquele!' Isso, de todo, não é ruim. O menino relapso, desinteressado, bobagento, "sem compromisso", amigo de todo mundo e de qualquer um [e isso nunca foi exatamente nessa proporção] não é o mesmo. 'O Rodrigo realmente mudou, só que ninguém percebeu isso ainda'. Antigamente, ele tinha mais tempo para ligar, para correr atrás, tinha mais disposição e não importava o quanto tinha que ser só ele. Não foi sempre certo e talvez tenha sido mais falho do que certo... mesmo assim, deu para perceber o quanto não era recíproco.
Um dia, de uma forma amena, mas que logo depois se tornou monstruosa, eu tive que escutar: 'tá chegando a idade de perceber e definir quem são os amigos deverdade. E espere, eles serão menos da metade do que são hoje'. No fundo, eu sabia que seria assim, mas não imaginava que isso tudo viria com as responsabilidades, com a correria, com as dúvidas. Enfim, que aconteceria quando você mais precisava.
-Eu não te liguei, porque você não iria! É a pior das desculpas. Mas eu nem vim falar disso. Voltemos à sensação (re)experimentada!
Alguém se lembra da primeira vez que sentiu 'algo diferente' por outra pessoa? Quando sentiu o coração palpitando, o nervosismo de não saber o que falar, de ficar sem graça, de falar coisas sem sentido, e o pior, de não poder falar, agir ou pensar? Sim, porque se o seu caso foi complicado, garanto que o meu foi ainda pior. Uma situação impensável, ainda mais naquela época [me senti um velho agora!].
Ontem, quando arrumava meu edredon da Sonhart e meus dois travesseiros altos e confortáveis, resolvi atualizar a sempre aberta página do orkut. Mais do que pedido em oração, eis que ali estava a surpresa em forma de depoimento. A sensação não foi a mesma que a de anos atrás; o fato é: fez com que eu lembrasse dela, dos tempos remotos. E não que tenha sido como o desejado, mas estava ali uma demonstração de amizade bonita, singela e querida... uma nostalgia, uma saudade daquele ano que foi o melhor de nossas vidas. A surpresa me deixou estático. Não consegui responder, não consegui levantar da cadeira por um bom tempo, e o pior [mais uma vez], não consegui sequer pensar em uma resposta. A noite passou em claro, com as lembranças daqueles que outrora foram os melhores momentos da minha vida.
Depois disso, a boa sensação se tornou uma sensação de alívio, de paz e de acolhida. Aquele amigo tinha sido sincero e tinha aberto o coração de uma forma que nunca tivera feito. E isso era o mais importante: ele nunca tinha feito isso nem naquela época, quando éramos intimamente ligados ao outro, quando tínhamos liberdade para dizer 'eu te amo, brody'. Eram mensagens trocadas de madrugada, [in]diretas préadolescentes, jogos de vôlei pela seleção do colégio intermináveis, tardes de cachorro-quente e coca-cola [mentiras contadas aos pais, avós e afins - 'vamos nos reunir para estudar física'] que P* saudade do Clube do bolinha... Eu poderia ficar páginas e páginas citando tudo.
Aí o inesperado aconteceu. 'Eu resolvi dizer que te amo (sem medo de que possa entender coisas a mais do que a simples amizade que sempre sentimos um pelo outro)'. Foram palavras muito bem escolhidas; que me deixaram essa sensação de nostalgia, alívio e afeto. Como é bom, às vezes, lembrarmos dos velhos tempos, daqueles que foram e, de certa forma, são importantes na nossa vida. Sentimento que vai muito além de paixão, de desejo... uma coisa que toca, que mexe com a gente... que faz querer voltar o tempo e consertar tudo de errado que passou... a falta e a comodidade.
sexta-feira, 15 de maio de 2009
Paráfrase do dia-a-dia
'Meus pais são meus melhores amigos'! Isso é uma coisa sobre a qual nunca tive dúvida, e mesmo assim sempre fui obrigado a escutar. Até mesmo como forma de cobrança, desabafo e de um bocado de ciúme. Mas qual é a alternativa quando não os temos aqui do lado? Quando somos obrigados [sim, obrigados. Porque um garoto de 13 anos, naquela época, não podia escolher o que queria, e nem podia impor a sua vontade]a mudar e deixar toda uma infância e uma 'base' para trás? Construímos uma relação de família. Aqueles que compartilham tudo com você se tornam verdadeiros heróis.
São noites de desabafo, são dias de angústias, são os melhores e piores momentos ao lado, são a certeza de que o clichê vale a pena, e são o nosso 'número exato'. Eles comigo me fazem melhor. "Gracinha do Rodrigo (sr. jornalista sumido)", já dizia essa minha amiga. Paro e começo a pensar: o que faz a gente se afastar, a deixar de lado uma das maiores prioridades da nossa vida?. Preguiça? Descaso? Cansaço? Correria? Exigências? Cobranças? A certeza de que sempre serão bons e verdadeiros amigos? Acomodação? Eu não sei ao certo, mas sei que nada justifica essa ausência.
Um é bom, o outro é melhor... Mas todos juntos é excelente! Então, porque deixar as coisas irem passando?! Eu aqui, vocês aí, 'cada um com seu cada qual'! Pôxa, como é ruim. E sabe o que é pior? É saber que, talvez, provavelmente, você é o principal culpado disso. Não que seja uma culpa, e sim uma parcela imensa e majoritária de responsabilidade.
A reciprocidade sempre foi um determinante na minha vida, e acho que ela rege as melhores relações afetuosas. Um telefonema inesperado, um SMS no seu dia caótico de jornalista daquela amiga que estava sumida há tempos, um abraço forte, um carinho de quem não faz carinho, um sorriso com olhar de cansaço, descrença, uma surpresa na madrugada, uma companhia quando se está sozinho, um segundo de distração, um momento de ócio cirativo, uma noite não programada, um esforço para estar junto, um jargão bem construido, as frases feitas e engraçadas, as surpresas... Crescemos, e essa é a ordem natural das coisas. Uma natureza bela, pálida e aconchegante. E fica uma mensagem no final, parafraseando: Eu suportaria, embora não sem dor, que morresse o meu amor, mas não suportaria, de forma alguma, que morresse um verdadeiro amigo. Toda hora é hora de pensar o quanto estamos sendo justos e sinceros [com a gente mesmo, no final].
segunda-feira, 21 de julho de 2008
Decepções e fracassos
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Final de junho, início de julho. A primeira coisa que se fez presente foi a dúvida. Será que teria férias? Se tivesse, será que ela seria boa? Será que haveria descanso, paz, sossego, diversão, festas, (des)encontros etc.? Tudo estava muito confuso e tudo se passava como um clarão. Ele percebia que não estava aproveitando nada, e que aquele sentimento de solidão e desespero estava tomando conta. Ainda assim, ele conseguia sorrir, fazer as piadas de sempre, entreter; se esforçava pra demonstrar que era aquele poço de confiança, segurança e destreza. Ele não sabia como lidar com nada. Ele sequer tinha domínio sobre a sua própria vida. Sim, ele estava de-ses-pe-ra-do(!); e ninguém percebia isso!
A família. Como pensar essa ‘problemática’? Como em todos os filmes de drama/romance, o ambiente familiar tinha que ser o aconchego, o alicerce e o apoio necessários. E, mais uma vez, ele não conseguia achar nada disso. Ele nunca era bom o suficiente, mas, em contrapartida, ele era ausente o suficiente. Se dar bem, crescer, alcançar, conquistar não eram coisas boas, naquele momento. Ele tinha que parar e perceber o quanto todos esperavam dele, o quanto todos cobravam dele. Cansava (na verdade, mais doía do que cansava) ouvir e saber que nada era suficiente... sem contar em ter que agüentar ser o que era. Não havia opções.
Os amigos. Novos, antigos, verdadeiros... ele nem sabia mais o que era realmente a amizade. ‘Definam esse conceito! Eu não acredito em vocês, e não acredito em nada do que vocês me disserem!’ Existem, no final, colegas? No subconsciente, ele pensava: desculpe aqueles que realmente considera-o amigo... Mas há muita mágoa (ênfase!) em toda a história. Doar, tentar, analisar; ele fez de tudo, mesmo sabendo que o problema também estava com ele (pobre desnaturado), e, dessa vez, ele não iria culpa o tempo, ou a falta dele. No final, ele descobrira que realmente iria ser solitário, mesmo estando com várias pessoas ao seu lado. Que desespero!
A faculdade. Conseqüência maior de seus atos e falta de interesse, ele estava, nesse ponto, realmente preocupado! Ele assumira responsabilidades, e já que ele tinha que crescer, que fosse de uma vez; dessa vez. Isso também refletia, e reflete, em todos os seus atos e naquela sua descrença atual. Falta de léxico, de compromisso e de maturidade! Sim! Ele percebera o quão importante era, e o quanto ele gostava daquilo. Agora, nessa altura do campeonato, ele realmente estava satisfeito com a escolha feita. Talvez essa fosse a única coisa boa, atualmente. Mesmo sabendo que ele era ‘precoce’, ele estava sentido, estava machucado e realmente preocupado... Ele vira que não tinha sido responsável, sério, realista, ‘pé no chão’ o suficiente. Estão vendo? Essas questões sempre o atormentam, sem precisar que todos façam isso; e ainda assim todos, to-dos!, insistem em fazer.
Está bom! Ele sabe que isso não é só com ele, que as coisas são fases e que tudo muda. Ele sabe aquele caduco e ressentido ditado de que você tem que pensar que tem muita gente pior. Mas ele pode ser egoísta, pelo menos dessa vez, e pensar que está tudo péssimo, está tudo vazio, está tudo perdido? Ele só quer, na verdade, não se tornar frio, vazio, egoísta, cético, descrente... Ele só quer voltar a ser o que era, quando tudo e todos eram lindos e perfeitos; quando ele sentia vontade de agradar, de esperar, de sentir... como se fosse a primeira vez, sempre! Ele gostaria de saber se expressar, de ser completo e claro... de ser aquilo que ele sonha ser, um dia.